O Ministério da Justiça dos EUA apresentou uma resposta crítica ao pedido da Apple para obter documentos da Samsung da Coreia do Sul no contexto de um processo antitruste em andamento. Aqui estão os detalhes.
Um pouco de contexto
Há alguns dias, a Apple solicitou ao Ministério da Justiça documentos da Samsung Electronics, da Coreia do Sul, como parte de sua defesa contra o processo antitruste em andamento.
O pedido da Apple surgiu após a recusa da subsidiária da Samsung nos EUA em produzir registros que alegadamente esclareceria quão competitivos são os mercados de smartphones e smartwatches da Apple, com que frequência os usuários mudam entre plataformas e se as políticas da Apple têm efeitos anticompetitivos alegados no caso.
De acordo com a Samsung, os documentos são mantidos apenas na empresa matriz na Coreia, portanto, a Apple apresentou uma petição ao Tribunal Distrital de Nova Jersey para emitir uma carta de pedido formal para obter documentos da Samsung Electronics na Coreia do Sul.
O pedido da Apple baseia-se na Convenção da Haia sobre a Obtenção de Provas em Processos Civis ou Comerciais, que permite que os tribunais obtenham provas de ativos estrangeiros.
Se o tribunal dos EUA aceitar o pedido da Apple, caberá às autoridades sul-coreanas decidir se irão cumpri-lo. Mesmo assim, a Samsung pode contestar de acordo com as leis coreanas, que podem limitar ou complicar a produção.
Isso nos traz até hoje.
Ministério da Justiça critica o pedido da Apple
Em um documento apresentado ao tribunal, o Ministério da Justiça questiona a lógica por trás do pedido da Apple, argumentando que a empresa sempre soube da importância da Samsung no cerne do caso e que a empresa matriz na Coreia provavelmente possui alguns documentos relevantes.
O Ministério da Justiça observa que a Apple gastou muito tempo para fazer esse pedido e que é improvável que o processo seja concluído antes do término do período de descoberta real, e que isso não deve ser usado para estender prazos.
O Ministério da Justiça acrescenta que, se o tribunal aceitar o pedido, a Apple deve "assumir o risco de que algumas ou todas as provas solicitadas da Coreia do Sul não retornem a tempo".
Do pedido:
Deve-se deixar absolutamente claro que o complexo e demorado processo de jurisdição estrangeira sob a Convenção da Haia não deve ser uma justificativa para prolongar ainda mais o fechamento do período de descoberta real ou atrasar a audiência neste caso—especialmente à luz da decisão de esperar nove meses antes de apresentar o pedido da Apple.
Curiosamente, o Ministério da Justiça enfatiza que "não tomou uma posição sobre se o tribunal deve emitir a Carta de Pedido", mas, em vez disso, se concentra nas possíveis atrasos que essa iniciativa pode causar no cronograma de descoberta.
Você pode ler a resposta completa do Ministério da Justiça abaixo:
gov.uscourts.njd.544402.425.0 Baixar
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